quarta-feira, 4 de março de 2020

A Cama

Durante muito tempo eu não tive cama.
Gostava do conceito "tatame" e dormia apenas sobre o colchão no chão.
Um dia acordei com vontade de ter uma cama baixa, e comecei a pesquisar um modelo que se encaixasse no meu desejo.
Não queria uma cama qualquer, sem personalidade, tipo uma box de hotel, queria uma cama com rodízios, e com um design ao mesmo tempo simples e moderno.
 
 
 

Encontrei esta, com cabeceira de acrílico, e me apaixonei.
Era minha cara!
Parti para a pesquisa de preços, estava decidida a investir na realização deste desejo.

A surpresa quando me deparei com os valores foi arrasadora. Aquela belezura custava um enorme amontoado de dinheiros que eu jamais teria para gastar.
Mas quem disse que meu coraçãozinho entenderia estas racionalidades?
Qual a solução?
Fazer.
Cotei os materiais.
Se eu dispensasse temporariamente a cabeceira de acrílico, sobraria um dinheirão que eu poderia investir em roupas de cama ou cortinas.
Estava decidido.
Nascia assim mais uma marcenaria de apartamento.
Comprei uma placa de mdf de 2,5mm, os rodízios transparentes lindos e gigantes, fiz o pedido dos cortes da placa e os projetos de uso dos excedentes. 
Quase explodi de felicidade.
Assim começou a saga.
O recorte era pesadíssimo e não entrava no elevador, eu morava no quinto andar. Paguei um extra para que dois rapazes subissem a placa até meu apartamento. Lixei, arredondei as quinas, pintei com tinta epóxi para vedar qualquer umidade que pudesse danificar o mdf, instalei os rodízios, e nasceu assim meu primeiro móvel.


 
 
 
 
 
Felicidade plena e absoluta!
Dois anos depois me mudei para outro estado e lá se foi minha caminha linda morar comigo na praia. Fomos bem felizes juntas por mais quatro anos.
Quando retornei decidi não trazê-la comigo, retirei os rodízios para um projeto futuro e doei a placa para um grande amigo marceneiro. Pelas notícias que ele me deu, ela se transmutou em uma estante e viveu feliz para sempre.
 
 
Eu ainda segui criando com a sobra restante da placa original...

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