quinta-feira, 5 de março de 2020

O banco aparador

Quando eu aluguei meu primeiro apartamento solo, foi tudo muito às pressas, e sem quase nenhum dinheiro.
Naquele ano, no mês de Setembro, eu decidi me separar do marido da época, e para mobiliar a casa nova, eu só teria o 13o salário que sairia em Novembro.
Quando a grana caiu em minhas mãos, comprei os móveis mais baratinhos que encontrei, e a sala ganhou esta cara.




Um sofá cama, uma mesa com 4 cadeiras, um rack e um aparador e muitas caixas de palha, além claro um assento estofado coletado numa caçamba. Era o que dava pra ter, e por um bom tempo até que me dei por satisfeita. Um improvisado bem ajeitadinho. Um carrinho de tv virou bar e todos os enfeites que entravam na casa iam se acumulando sobre o aparador.
Me acostumei a colocar ali tudo que precisava ser encontrado e não podia ser perdido.


O tempo foi passando, o sofá foi ficando "inssentável", aquela mobília barata e sem cor foi ficando cada vez mais entalada em minha garganta, eu fui fazendo uma reforminha aqui outra acolá e resolvi bancar a "Decoradora Kitsch Multicolor Descontrol".
Ainda não tinha dinheiro, mas já estava picada pelo doce veneno do "Faça você mesma", então me joguei no precipício das cores e ousadia sem medo de ser feliz.
Entrei na fase Laranja.
Adeus ao sofá, ao rack e ao aparador. Bem vindos sofá-cama puff gigante, baús e nichos laqueados brancos.
Durou bem pouco. O sofá-puff não oferecia nenhum conforto, a bagunça foi se instalando e ocupando o ambiente. As cores ao invés de me alegrar geravam um certo desespero, e menos de seis meses depois, eu sonhava com paz e aparadores.


Eu já havia gastado todo o dinheiro que tinha com os móveis brancos, e precisava de um novo piso, um novo sofá, um aparador e novas cortinas.
Comecei a nova saga.
Comprei o piso, e a placa de MDF para fazer a cama. Fiz a cama, os móveis da amiga e o novo aparador, que também garantiria mais dois lugares de assento em dias de casa cheia. Eu diria que foi nesta fase que eu entrei num caminho sem volta das mobílias brancas.


E assim o banco aparador entrou definitivamente em minha vida.Brilhou reluzente ao lado de novas outras decorações, foi morar na praia onde viveu como banco de varanda, foi residência oficial do gato que passou a viver embaixo dele, voltou comigo e já habitou mais 3 casas onde vivi e brilha reluzente em minha sala neste momento como jardim.
E acho que seguiremos juntos por muitos projetos ainda...


 

quarta-feira, 4 de março de 2020

O armário e a mesinha da amiga

Eu ainda tinha os recortes que sobraram da placa que comprei para fazer a cama, e uma amiga que estava se mudando para o mesmo prédio em que eu morava, precisava de móveis para a casa nova.
Aquilo soou como música para os meus ouvidos...
Alguns dias depois que decidimos fazer os móveis, a amiga se deparou com uma caçamba rica e coletou exatamente o restante do material que precisávamos.
Como eu ainda não havia desmontado a "pocket marcenaria" da construção da cama, iniciamos imediatamente os trabalhos e em dois dias nasceram as belezinhas.

Pela primeira vez eu senti fazer algo bacana, com um acabamento bonitinho, tendo mais prazer do que tensão na confecção e passando no crivo exigentíssimo de minha autocrítica.
Gostei do resultado, tive até um certo orgulho em dizer que fiz aquilo.
Senti algo profundamente libertador ao saber que teria capacidade de concretizar aqueles desejos que meu bolso não me permitia realizar e me tornei uma frequentadora oficial de caçambas.


 E assim o armário e a mesinha encontraram um novo lar, a amiga conseguiu os móveis que precisava, os materiais da caçamba tiveram um destino nobre e eu entrei num caminho sem volta rumo ao "Faça você mesma".
Faltava ainda realizar o último projeto com o restante que sobrou da placa de mdf, mas essa é uma outra história...

A Cama

Durante muito tempo eu não tive cama.
Gostava do conceito "tatame" e dormia apenas sobre o colchão no chão.
Um dia acordei com vontade de ter uma cama baixa, e comecei a pesquisar um modelo que se encaixasse no meu desejo.
Não queria uma cama qualquer, sem personalidade, tipo uma box de hotel, queria uma cama com rodízios, e com um design ao mesmo tempo simples e moderno.
 
 
 

Encontrei esta, com cabeceira de acrílico, e me apaixonei.
Era minha cara!
Parti para a pesquisa de preços, estava decidida a investir na realização deste desejo.

A surpresa quando me deparei com os valores foi arrasadora. Aquela belezura custava um enorme amontoado de dinheiros que eu jamais teria para gastar.
Mas quem disse que meu coraçãozinho entenderia estas racionalidades?
Qual a solução?
Fazer.
Cotei os materiais.
Se eu dispensasse temporariamente a cabeceira de acrílico, sobraria um dinheirão que eu poderia investir em roupas de cama ou cortinas.
Estava decidido.
Nascia assim mais uma marcenaria de apartamento.
Comprei uma placa de mdf de 2,5mm, os rodízios transparentes lindos e gigantes, fiz o pedido dos cortes da placa e os projetos de uso dos excedentes. 
Quase explodi de felicidade.
Assim começou a saga.
O recorte era pesadíssimo e não entrava no elevador, eu morava no quinto andar. Paguei um extra para que dois rapazes subissem a placa até meu apartamento. Lixei, arredondei as quinas, pintei com tinta epóxi para vedar qualquer umidade que pudesse danificar o mdf, instalei os rodízios, e nasceu assim meu primeiro móvel.


 
 
 
 
 
Felicidade plena e absoluta!
Dois anos depois me mudei para outro estado e lá se foi minha caminha linda morar comigo na praia. Fomos bem felizes juntas por mais quatro anos.
Quando retornei decidi não trazê-la comigo, retirei os rodízios para um projeto futuro e doei a placa para um grande amigo marceneiro. Pelas notícias que ele me deu, ela se transmutou em uma estante e viveu feliz para sempre.
 
 
Eu ainda segui criando com a sobra restante da placa original...

terça-feira, 3 de março de 2020

O porquê

Caçambeira ? Sim.
Brecholeira? Sim.
Catadora de coisas achadas nas ruas ? Sim.
Adoro a ideia de coletar coisas e transformá-las em outras, novinhas e úteis.
Desde pequeninha adorava construir móveis para as casinhas de bonecas usando caixinhas de fósforos, e conforme fui crescendo, as madeirinhas foram crescendo também, as ideias foram crescendo junto e a brincadeira continuou...
Nunca me incomodei com as críticas ou com o estranhamento quando chego carregando algum material coletado, ao contrário, aproveito a chance para fazer palestra sobre reutilização e reaproveitamento de recursos. E sei que tenho pares, sempre encontro alguém que tem os mesmos hábitos e passatempos. Somos muitos!
Embora eu goste bastante de inventar e construir, tenho consciência de não produzir coisas sem ter a necessidade de uso, então fico super feliz quando alguém me "encomenda" alguma tarefa. Tenho tentado cada vez mais praticar o minimalismo e admiro muito o design nórdico, as formas simples e a valorização da natureza dos materiais.
Aqui tentarei construir uma cronologia das minhas invencionices e quem sabe, uma linha do tempo de minhas fases criativas e evolução das técnicas.
Espero que vocês venham comigo, opinem, comentem, sugiram, sintam-se em casa.
Vocês são muito bem vindos !